Fics 10 - "De Mal a Pior" |
Tinha-se passado uma semana desde a discussão com Elyon, e desde então não falavam um com o outro. Evitavam-se durante as aulas, e almoçavam em horas diferentes. Elyon, a sua primeira e melhor amiga estava chateada com Daniel. Ele nunca tivera amigos, pois não achava necessário tal sentimento, mas agora que já o conhecia, não conseguia viver sem ele. A única pessoa com quem Daniel falava agora era Bella. Contudo neste momento, ela estava a dar-lhe um pequeno sermão...
- Daniel! Posso saber porque é que de momento te estás a comportar como um verdadeiro idiota com a Elyon? Ela está terrivelmente magoada contigo, e tudo o que tu sabes fazer é ignorá-la! Porque é que vocês discutiram?
- Eu não estou a ser idiota... E ela também me anda a ignorar! Por acaso estás a vê-la aqui no salão?
- Sabes porque é que ela não está aqui no salão? Porque não aguenta o teu desprezo! E tens tu muita sorte que ela é bastante pacífica, se fosse comigo...
- Ela é que começou a desprezar-me primeiro! Ela que começou a esquecer-me e andava só com aquela atrasada mental da Iruvienne! Se nós estamos chateados é por culpa dela!
- É incrível como tu só vês o que te convém... Não a viste preocupadíssima contigo quando foste mordido por aquela maldita cobra, nem quando tu e o Mike duelaram, pois não? Claro que não! Estás muito mais preocupado em fazer-te de vítima ciumenta! Será que ela não tem direito a ter mais amigos?
- Se ela se preocupasse assim tanto, tinha assistido ao duelo. Em vez de estar a apoiar-me, esteve ao pé do lago a rir com a amiguinha Iruvienne!
- Não! Se ela não se preocupasse contigo é que estaria “ao pé do lago a rir com a amiguinha Iruvienne”! Em vez disso ela estava ao meu lado super preocupada contigo! Quem é que te contou essa mentira?
- Não é mentira nenhuma! E não interessa quem me contou!
- Estás a duvidar de mim? – perguntou Bella num tom perigoso
- Se não tens mais nada de interessante para falar, vou-me embora! Tenho quase a certeza de que foi a Elyon que te mandou vir falar comigo, e não estou para ouvir as desculpas dela! Adeus!
- Daniel! Ainda não acabei de falar contigo! Eu quero saber porque raio é que estavas a falar com o Malfoy depois do duelo. Foi ele quem te contou aquela mentira sobre a Elyon?
- Para tua informação ele é muito melhor pessoa do que tu!
E dito isto Daniel virou as costas a Bella. Daniel sabia muito bem que o que acabara de dizer não era verdade. Malfoy apenas se fizera amigo dele, para conseguir a sua vingança, mas foi a única maneira de Daniel acabar aquela conversa. Ultimamente falar de Elyon era um assunto bastante incomodativo, e Bella só falava dela. E se era verdade? E se Elyon estava mesmo magoada? Daniel sentia-se pessimamente, pois nunca quis magoa-la. Bella tinha razão, ele estava a fazer-se de vítima ciumenta.
Repentinamente Daniel voltou para trás, para falar com Bella. Tinha de lhe pedir desculpa, pois tinha sido demasiado injusto. Ao entrar no salão, olhou para o lugar onde estivera momentos antes com Bella, e viu-a com Elyon... Daniel aproximou-se o mais que pôde, e de repente reparou que Elyon estava a chorar... Chocado com o que via, deu meia volta e saiu a correr do salão.
~*~
Bella tentava em vão acalmar Elyon que chorava ao seu lado. Tinha esgotado os seus argumentos a favor de Daniel e na verdade só lhe apetecia enfeitiçá-lo para ele aprender a lição. Com que então Malfoy era melhor pessoa que ela... Ele não perdia por esperar... Mas o problema agora era a sua amiga, mais magoada que nunca com o rapaz.
- Elyon... acalma-te... Ele só está com ciúmes da Iruvienne... E de certeza que o Malfoy está enterrado nesta história até ao pescoço...
- Talvez ele até tenha razão e eu esqueci-o um pouco, com toda aquela história da equipa de quidditch... E mesmo que o Malfoy esteja envolvido nisto, não percebo porque é que o Daniel agiria assim... – dizia Elyon entre lágrimas.
- Não te vais começar a culpar porque ele deu em idiota! Ele podia perfeitamente ter falado contigo e explicar-te que se sentia posto de parte! Não era preciso ignorar-te desta maneira!
- Eu sei que tens razão Bella, mas neste momento só quero esquecer tudo e ter de volta o meu amigo...
- Não sei se ele ainda é o teu amigo... Ultimamente tem andado muito estranho... Mas se queres esquecer tudo devias falar com ele.
- É um pouco difícil, pois agora ele evita-me sempre que me vê... Oh Bella... Não sei o que fazer... Tens falado com ele?
- Tenho... E sabes o que é que aquele ingrato me disse? Que tu estavas sentada à beira do lago a rir-te com a Iruvienne durante o duelo dele com o Mike, e que o Malfoy era muito melhor pessoa que eu!
- O QUÊ? Mas eu já lhe disse que isso era mentira! Mas ele não acreditou em mim... E como teve coragem de dizer que o Malfoy é melhor pessoa que tu? Sinceramente, já não o reconheço, e não gosto da pessoa em que ele se tornou... – disse Elyon revelando alguma tristeza no seu tom de voz, devido aos recentes acontecimentos.
- Só resta saber porque se tornou nessa pessoa....
- É isso que tenho medo de saber, Bella... Os verdadeiros motivos...
- Mas temos que os descobrir de qualquer das maneiras... Ou então vamos perder o nosso amigo...
- Eu sei... Mas o que vamos fazer?
- Eu já não vou andar mais atrás dele... Pelo menos não enquanto ele não me pedir desculpas...
- Nem vale a pena... Ele não te ouve... Mas estou a ter uma ideia... E já sei quem nos vai ajudar...
Daniel sentia um peso na consciência enorme. Será que Bella estava a dizer a verdade e Elyon estava realmente magoada com ele? Mas então... Malfoy só podia ter mentido, mas já era demasiado tarde. Ele já se tinha comprometido a ajudá-lo, e já não podia contar com Bella, pois tinha-a também magoado. A menos que engolisse o orgulho e lhe fosse pedir desculpas... mas ainda havia a possibilidade da loira lhe passar outro sermão.
Repentinamente alguém lhe interrompeu os pensamentos, tocando-lhe no ombro.
- Potter, já decidi tudo sobre o plano. Amanhã à noite vais atraí-las até à Torre de Astronomia onde eu, o Crabbe e o Goyle vamos estar à vossa espera para lhes ensinarmos uma lição. Nem uma palavra sobre isto a ninguém, e já sabes o que é que acontece se decidires não cooperar – e com isto Malfoy afastou-se sem que Daniel tivesse oportunidade de falar
Finalmente chegara a altura em que Daniel se ia vingar de Iruvienne, e que... iria trair a sua melhor amiga... Agora só faltava saber como iria fazer para convencer Elyon a ir com ele até à torre de astronomia... E se...
~*~
- Bella, posso falar contigo? Não demora nada... – pediu Daniel.
- Porque é que não vais falar com o Malfoy? Afinal ele é muito melhor pessoa que eu, não é?
- Ouve Bella... Eu queria pedir-te desculpa... Eu não devia ter dito isso... Desculpa...
- A desculpa não vai servir de muito se não passar de palavras... aquele foi o pior insulto que me podias ter dado!
- Eu sei... Mas... Eu não sei o que se passa comigo... Acho que esta zanga com a Elyon afectou-me bastante, apesar de não querer admitir... E tu estavas só a falar dela e... Bem... Vamos esquecer, pode ser? Já me chateei com uma amiga, e não quero que isso aconteça novamente. Perdoa-me... Por favor...
Bella sorriu. O amigo parecia estar a ser sincero...
- Ok, Daniel, isso são águas passadas... mas vê lá se daqui para a frente te controlas! E não era má ideia fazer as pazes também com a Ely.
- Ainda bem que falas nisso. Eu também quero falar com ela, mas como deves imaginar, vai ser difícil conseguir... Podes dizer-lhe para se encontrar comigo na Torre de Astronomia, hoje à meia-noite? Eu quero estar sozinho com ela, para que não sejamos interrompidos...
- Claro! - respondeu Bella com um brilho malicioso nos olhos. - Se quiseres também encomendo umas velinhas...
- Acho que o brilho das estrelas é suficiente... – riu-se Daniel, afastando-se da amiga para pôr em prática o plano de Malfoy.
~*~
Mais uma vez Iruvienne estava na biblioteca, sozinha, no meio de vários livros de poções. Embora os olhos lessem as páginas a cabeça pensava noutra coisa...
A Elyon… Onde é que ela se meteu? Hum… onde é que o Daniel a queria mesmo? O que se passa entre eles os dois? Eih! A Elyon! Onde é que ela se meteu??? Devia estar aqui!
Iruvienne fechou o livro com força. Aquela rapariga… Parecia cada vez mais desnorteada!
Decidida a terminar o estudo por aquela tarde, levantou-se em direcção às estantes.
- Sim… foi o que ouvi dizer…
- A Elyon Somniare? Aquela morena com cara de anjo?
- Sim… e o Potter… Não o cicatriz… o outro!
A ravenclaw parou. Elyon… Potter… ela tinha de saber!
- Eih! O que estavam a dizer? – perguntou ela dando a volta à estante.
- Hum… nada! – respondeu Zabini, um Slytherin.
A jovem ruiva olhou para a mesa, todos eram Slytherins: Zabini, Pansy, Warrington, Bulstrode e Nott. Pansy e Bulstrode olhavam para ela com inveja enquanto os rapazes a miravam de cima a baixo.
- Então? Alguém me vai contar?
- Nós… Nada! Que intrometida que tu és! – respondeu Bulstrode.
- Eu? Desculpem… é que ao contrário de vocês eu oiço muito bem… e ouvi-vos a falar na minha melhor amiga…
- Oh… – Zabini desviou o olhar preocupado.
- Alguém?
- Nós estávamos a conversar entre nós! Conversa de Slytherins! Não tens nada haver! – Warrington levantou-se corajosamente com a varinha estendida para Iruvienne.
- Hum… acho que nem o Matthew nem o Mike vão gostar de saber pensaram em me atacar…
- O Matthew? O Matthew Macnair? – Nott parecia ter acordado.
- Sim… O meu primo Matthew Macnair…
- Oh… Nós…- Nott tentou-se desculpar.
- Ele é mesmo teu primo Hiems? – perguntou Parkinson.
- Sim… é… Alguma razão em especial?
- Bem… e tu falas muito com ele? – continuou ela.
- Sim… somos como irmãos…
- E tu odeias sangues-de-lama como aquela Granger e a… hum… Henriques? à qual tirei pontos no outro dia?
Iruvienne acenou com um sorriso… Aquilo era demasiado fácil…
- Então… acho que preciso de falar contigo!
A ruiva olhou para a outra atónita. Pansy queria falar consigo em particular? Aquilo trazia àgua no bico… De qualquer maneira, as duas afastaram-se.
- Diz – atirou Iruvienne assim que achou que estavam suficientemente longe.
- Eu digo-te o que sei sobre o caso da Somniare se relembrares ao teu primo quem eu sou…
- Claro! – ela nunca lhe iria contar, mas a morena nunca saberia disso.
- Então… o Potter pediu à tua amiga Somniare para se encontrarem na torre de astronomia à meia-noite.
- E porque é que vocês sabem disso? – aquilo ela sabia! Tinha ouvido a Bella avisar Elyon nessa tarde.
- Bem… É que… O Draco vai estar lá também para dar “as boas vindas” à tua amiga…
Oh não! Não… aquilo estava a ir longe de mais! O Malfoy não poderia fazer nada à Elyon ou ela sentir-se-ia culpada para sempre…
Sem trocarem mais uma palavra, Iruvienne saiu a correr da biblioteca, enquanto Pansy Parkinson voltava triunfante para junto dos outros Slytherin “Aquilo havia sido fácil de mais…”.
~*~
- Encontrar-se comigo? _perguntou Elyon um pouco surpreendida. _ Vejo-te depois, Bella. _despediu-se rapidamente a Ravenclaw e começando a dirigir-se para a Torre.
"Já terá caído em si?" pensava esperançada. "Quem dera que sim... tem sido horrível, a comportam-se tão infantilmente... e o idiota do Malfoy a meter-lhe ideias na cabeça!"
"Mas e se... não, ele não faria isso. Mas porquê na Torre? É um sítio estranho para se fazerem as pazes... ou talvez ele não queira interrupções... é melhor parar de ver armadilhas em toda a parte!"
As escadas que levavam à Torre ficaram finalmente visíveis. Elyon galgou-as de duas em duas e rapidamente chegou ao cimo. Empurrou a pesada porta de madeira. A Torre estava bastante escura. A tarde tinha dado lugar à noite, e as estrelas eram visíveis pela janela. No meio da sala estava Daniel, como dissera Bella.
- Daniel... Eu... – começou sem saber muito bem o que dizer. - Olá.
E antes de Daniel responder, ouve um estrondo atrás de Elyon, que automaticamente se voltou para trás, reparando que as portas estavam fechadas... por magia.
- Mas que...!? - exclamou a Ravenclaw, surpreendida. - Daniel! Que se passa aqui?
- Vejam só, a valente Elyon Somniare assustada... – soou uma voz num canto da sala, que Elyon reconheceu como sendo a voz de...
- Malfoy! _exclamou Elyon. _ Sua amostra de Lesma da Floresta! Uma armadilha! E eu que pensei... _ interrompendo-se, a morena tentou retomar o auto-controlo. _ Infelizmente para ti, Malfoy, ainda não é desta que me vês assustada.
- Será? - disse Draco Malfoy, emergindo das sombras juntamente com Crabbe e Goyle. - Corrige-me se estiver errado mas... Segundo as minhas contas, está 4 para 1, e parece-me que nem tu consegues aguentar com quatro ao mesmo tempo... Mas é possível que daqui a alguns minutos fique mais equilibrado...
- Equilibrado? _cuspiu Elyon venenosamente. _ Que queres dizer com isso? Para mais, não considero esses teus gorilas como gente... logo é dois contra um, e obrigadinha, Daniel.
- Elyon... Eu...
- Cala-te Potter! Não estragues tudo seu imbecil...
Interrompido por Malfoy, Daniel tentou lançar a Elyon um olhar especial, querendo dizer: "Desculpa... Mas tem de ser...". Apesar disso, Elyon pareceu não entender, continuando a protestar devido à decisão de Daniel.
- Ignorares-me é uma coisa... mas aliares-te ao Malfoy? Estás cego Daniel, completamente cego! Tudo por causa de uns ciúmes estúpidos... já aqui me tens, Malfoy. Que queres agora? Adoraria despachar logo isto.
- Estamos à espera de uma pessoa, que para variar meteu o nariz onde não é chamada.
- Oh, a sério? E eu pensar que eras tu quem fazia isso...
Dito isto, ouviu-se do outro lado da porta alguém dizer:
- Alohamorra
As portas abriram-se de par em par, para dar passagem a uma rapariga com uma expressão zangada, de varinha erguida e com um cabelo ruivo. Era a...
- Iruvienne! Estávamos mesmo à tua espera! - disse-lhe Daniel em tom de gozo.
- A minha espera?
- Vejo que a Pansy Parkinson fez o que devia... Estou impressionado... Mas aproxima-te, para podermos começar... - disse desta vez Malfoy fazendo um ar de incredulidade. - Já que ali a Somniare está com pressa, eu começo. Expelliarmus!
O feitiço atingiu em cheio Elyon, sem que esta tivesse tempo para se defender. Iruvienne ergueu a varinha e um jacto de luz vermelha atingiu Malfoy por trás.
- Mal-educado. _reclamou Elyon levantando-se. _ Não sabes que não se enfeitiça uma senhora?
- Eh... parece que não... acho que o teu pai não ia gostar...
Vindo não se sabe de onde, o mesmo jacto de luz vermelha atingiu também Iruvienne.
- Não és a única a praticar feitiços não-verbais Iruvienne... - disse-lhe Daniel. - Por acaso esse é dos meus preferidos...
- Desculpa Potter... mas não tens autorização para me chamar de Iruvienne... não por tudo aquilo que tens feito até agora! - e, com um movimento rápido, a Ravenclaw ruiva atingiu Daniel com um jacto de luz roxa.
Irritado com o ultimo feitiço, Daniel ergueu a varinha para lançar outro feitiço contra a ruiva, quando uma jaula, vinda não se sabe de onde, prendeu os quatro rapazes.
- Mas o que...!?
- Não acredito que começaram sem mim... – disse Bella aparecendo na sala.
- Oi Bella! - Iruvienne riu-se – então? Vieste tomar chá connosco?
- Bella! _exclamou Elyon. _ Bem-vinda, preciso de quem me substitua... perdi a espada em combate.
- Accio Varinha da Elyon!
- Então era para isto que querias que a Elyon viesse, não é Daniel? - cuspiu-lhe Bella. - Nunca pensei que te tornasse igual a esse verme.
- Já somos duas...
- Estou farto disto! Diffindo! - gritou Malfoy destruindo a jaula. - Dirijam-se para os vossos oponentes!
- Tem calma Malfoy! Não disseste que a Bella também estava metida nisto!
- Ninguém lhe mandou vir!
- A festa vai começar... _disse Elyon sorrindo e apontando a varinha para Goyle. _ Primeiro os gorilas... Petrificus Totalus!
Com Goyle imobilizado, cada rapaz tomou conta do seu oponente. Malfoy ficou com Elyon, Daniel com Iruvienne e Crabbe com Bella. Ambas as partes duelaram corajosamente, mas devido a uma pequena distracção da Bella, escorregou e caiu no chão, fazendo com que Elyon desviasse o olhar do seu oponente para olhar para a amiga. O resto aconteceu tudo muito depressa. Malfoy aproveito e imobilizou Elyon, dirigiu-se para Bella, ergueu a varinha, e foi atingido com um jacto de luz azul, fazendo cair e perder a varinha.
- A Bella não! - gritou Daniel já irritado.
Aproveitando a distracção dos oponentes, Iruvienne ajudou Elyon e Bella, dirigindo-se depois para as portas.
- Atrás delas, seus idiotas! - gritou Malfoy para Daniel e Crabbe.
Nem Daniel, nem Crabbe chegaram a tempo de apanhar Iruvienne e Bella, que tinham conseguido passar pelas portas, mas quando Elyon se aproximou, as portas foram seladas mais uma vez, sendo impossível abri-las, até mesmo através da magia.
- Não penses que depois de todo este trabalho me vais escapar, Somniare!
- Oh, que giro. _resmungou a rapariga.
BUM!!!! A porta explodiu por trás de Elyon.
- Iruvienne, sai daqui! _gritou Elyon para a porta e, virando-se em seguida para o Malfoy. _ Pois, Malfoy, preparar isto tudo só covardia mesmo, não é?
- Ocupem-se delas, tenho uns assuntos para tratar com a Somniare!
- Claro, Draquinho. _respondeu Elyon. _ Porque tu só sabes atacar com covardia, não é?
- Petrificus Totalus! - gritou Crabbe, acertando em Elyon.
- Muito bem Crabbe! Depois lembra-me de te dar uma bolacha. E agora nós menina Somniare. Estive a pensar qual o feitiço mais adequado para ti, e cheguei a uma conclusão. Que tal perderes a memória?
Malfoy ergueu a varinha, com uma cara bastante confiante e mais uma vez foi atingido pelo mesmo jacto de luz azul. Ao mesmo tempo, Iruvienne fez o contra-feitiço na sua amiga que se levantou e dirigiu-se para Daniel.
- Não te percebo... sinceramente, não te percebo Daniel... Alias-te ao Malfoy e depois ajudas-me? Afinal, o que queres?
- Desculpa Elyon... Tem de ser... - disse Daniel, voltando-lhe as costas de seguida, não conseguindo conter uma lágrima, que lhe percorreu o rosto.
Epílogo
Elyon acordou estranhamente cedo na manhã seguinte, para quem estivera grande parte da noite acordada. Tinha tomado uma resolução, a de por tudo em pratos limpos. Ou seja, Daniel ia ter de explicar direitinho e tim por tim o que lhe estava a passar pela cabeça. Em meia hora estava despachada e a dirigir-se ao Salão. Desde de que decidira evitá-la, o loiro tomava as refeições muito cedo.
Não se enganara. Num canto da mesa, um pouco mais afastado dos restantes madrugadores, Daniel comia uma torrada, enquanto "lia" um livro sem sair da mesma linha.
- Daniel. _ começou a rapariga, sentando-se ao lado dele. _ Precisamos de falar.
- O que!? Oh, Elyon! _sobressaltou-se Daniel. _ Eu... humm... depois, as aulas estão quase a começar. _ respondeu, levantou-se rapidamente e saindo do Salão quase a correr. Olhando para o relógio, Elyon reparou que ainda faltavam vinte minutos para o começo da primeira aula do dia...
- Bom-dia! _cumprimentou Iruvienne alegremente. _ Madrugaste. _ acrescentou, servindo-se de leite com chocolate.
- Queria falar com o Daniel...
- Depois do que ele te fez!!!!????
- Bem... ele pode estar a passar uma fase difícil... e tenho mesmo que resolver isto!
- Sim, claro. _ respondeu a mais velha numa espécie de resmungo. Decididamente, Iruvienne não tinha muito boa impressão de Daniel.
***
- Desiste Ely! Ele decididamente não quer falar contigo. Deixa-o, não merece que te preocupes. _ insistia Iruvienne, depois da segunda tampa de Daniel. Que raio, porque haveria o Zabini de aparecer exactamente quando ela estava quase a "caçar" o colega? Na sua distracção momentânea Daniel teve a oportunidade de desaparecer por entre as estantes da biblioteca! Devia conhecer uma passagem secreta.
- Acho que vou montar acampamento da Sala Comum. _ respondeu Elyon, ignorando os protestos de Iruvienne.
- Tu, o quê!?
- É isso. Mais tarde ou mais cedo ele vai ter de aparecer lá. Nessa altura, apanho-o.
- Estiveste o dia todo a tentar falar com ele e não conseguiste.
- Ah, mas eu não sou de desistir, pois não?_ respondeu Elyon, dando um pequeno sorriso.
***
Para espanto de Iruvienne, a morena fez mesmo um mini-acampamento na Sala Comum, ou seja, deitou-se num dos sofás com uma almofada, um lençol e um livro de Transfiguração. Daniel apareceu por volta das nove da noite, a hora máxima permitida para os quintos anos andarem a deambular pelos corredores. Num ápice, Elyon encurralou-o antes que o rapaz chegasse às escadas do dormitório masculino.
- Dan, vamos falar agora, nem que eu tenha de te seguir até ao dormitório. _ disse num tom autoritário. _ Não sei o que deu para... que é isso? _interrompeu-se Elyon, olhando com um misto de pasmo e desconfiança para um pin da capa de Daniel. O rapaz pareceu um pouco embaraçado, mas respondeu com firmeza.
- É um pin... sou novo membro da Brigada Inquisitorial.
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