Fics 14 - "Estamos Mesmo de Férias? " |
Iruvienne estava cansada de passar os dias a ouvir o avô a dar conselhos sobre duelos, os primos a quererem saber tudo sobre as corujas que entravam e saíam da mais alta janela do palácio, os pais a quererem que ela fizesse alguma coisa das férias ("como aprender a tocar flauta por exemplo!" dizia a mãe) e a avó a querer sair todos os dias para ir às compras... Ainda não conseguira ir visitar Elyon nem convidar Bella para a partida de Quidditch que já havia ficado agendada e por isso decidiu, depois de uma breve conversa com os pais, ir até ao Egipto, fazer uma surpresa a Mike.
Não sabendo se poderia ficar com o namorado ou não, resolveu apenas levar uma mochila às costas (o que também era mais simples de desmaterializar) e deixar as malas prontas para serem enviadas por Floo se fossem precisas.
Na manhã de dia 10 de Agosto, Iruvienne despediu-se dos pais e desmaterializou-se directamente na rua onde Mike morava.
Havia muitos anos que a jovem não visitava o Egipto, e aquele clima não era dos preferidos dela, mas ao chegar lá decidiu que aquele não era o seu sítio de certeza. O amarelado das casas, o sol forte... aquilo definitivamente não era para ela!
Olhando à volta Iruvienne apercebeu-se de que estava numa das partes da mais alta sociedade da região. A rua larga apenas tinha algumas casas rodeadas de grandes jardins com piscinas e palmeiras. A rua não estava muito cheia, mas toda a gente que se via andava bem vestida. Encontrou logo a "casa" de Mike, um imponente templo amarelado cheio de hieróglifos, bem ao estilo egípcio, com várias janelas e um jardim muito grande. Sem pensar aproximou-se e tocou à campainha.
Os portões foram abertos por dois elfos que não disseram nada, e por isso Iruvienne resolveu entrar. À sua frente encontrava-se uma grande escadaria de azulejo reluzente que bifurcava dando acesso à casa.
- Iruvienne?! - Mike descia as escadas com o manto azul a ondular atrás dele. - O que fazes aqui?!
- Que linda maneira para me receberes... - respondeu ela começando a subir as escadas ao encontro do namorado.
- Desculpa, mas tens de admitir que é um pouco... estranho apareces assim aqui. - desculpou-se Mike, terminando com um grande sorriso.
- Vou fingir que acredito... - respondeu ela a sorrir ao chegar ao pé do namorado.
Mike abraçou-a e continuou: - Estava cheio de saudades, sabes? Ainda bem que vieste. - De seguida, largou-a e segurou nas suas mãos. - Então, vieste passar umas mini-férias aqui no Egipto? Tenho montes de coisas para te mostrar. O quarto de hóspedes está livre.
- Eu... bem... apenas pensei em passar por cá para estar contigo, - respondeu a ruiva sorridente. - mas se der para ficar... porque não?
- Claro! Vou só dizer aos meus elfos para prepararem o quarto, queres que leve a tua mochila?
- Não... deixa... Mas tens a certeza de que não tem problema? Os teus pais não me conhecem nem nada...
- Claro que não, a minha mãe é cinco estrelas. Ela arranja maneira de dar a volta ao meu pai se for preciso.
- Óptimo! - respondeu ela parando para beijar o namorado. Estava há dias a querer estar de novo ao pé dele...
- Bom dia! - Iruvienne voltou-se atrapalhada, aquela voz pertencia a uma mulher mais velha, só podia ser a mãe de Mike! - Deves ser a Iruvienne...
A jovem olhou para a mulher na sua frente, era bastante elegante, com um vestido branco muito comprido e estava muito arranjada. Para além disso era bastante bonita, o Mike tinha a quem sair...
- Sou sim...
- Sou a Hera Tuten'arak, sê bem vinda ao Egipto.
- Prazer... - e depois sussurrou para Mike - tinhas razão, parece ser mesmo fixe!
A senhora Tuten'arak falou com Mike durante alguns minutos, sobre a visita da jovem, enquanto subiam os degraus.
Iruvienne nem quis acreditar quando passou a porta de entrada. Pouco lá dentro a lembrava de que estava no Egipto! Embora a temperatura fosse um bocadinho mais quente do que era de esperar, a casa tinha decorações que não ficariam deslocadas em qualquer das casas britânicas que Iruvienne conhecia.
Mike mostrou-lhe o piso inferior e o primeiro andar todo. Depois encaminhou-se para o sótão.
- Vais conhecer agora o meu pai... - disse ele batendo à porta. Uma voz grossa de homem convidou-os a entrar.
Iruvienne ficou espantada com o tamanho da biblioteca de Mike. Embora fosse ligeiramente mais pequena que a sua, conseguia superar a de Hogwarts e a de Bella. Três das cinco paredes estavam cobertas de estantes até ao tecto, apenas com buracos com janelas para a luz entrar, e a quarta parede (a da porta) tinha uma longa tapeçaria da família Tuten'arak do lado direito e uma outra tapeçaria enfeitiçada, com os movimentos dos planetas. No centro da sala encontrava-se uma mesa para pouco mais de 6 pessoas, na qual presidia, sentado a ler o Profeta Diário, um homem alto, careca mas com uma barbicha que lembrava a dos antigos faraós. O cabelo do homem era preto, os olhos castanhos mas profundos, e a sua postura impunha respeito.
- Pai, - começou Mike aproximando-se da mesa, segurando na mão da namorada. - Esta é a Iruvienne.
- Olá... - saudou Iruvienne ainda meio a medo.
- Olá. Vens para ficar? - perguntou o Sr. Tuten'arak pousando o jornal e levantando-se. Era muito alto e tinha o corpo bem definido, tal como Mike.
- Sim... Eu convidei-a para ficar. - respondeu o rapaz no lugar da namorada.
~*~
- Então, Iruvienne, conta-nos mais coisas sobre ti e a tua família - pediu educadamente Hera Tuten'arak, à hora do jantar.
- Bem... - começou ela pousando os talheres. - sou Ravenclaw, jogo na equipa de Quidditch da escola como chaser...
- E muito bem, tenho de acrescentar - interrompeu Mike.
- Moro na Escócia, num palácio perto dum grande rio...
- Deveras? - perguntou o Sr.Tuten'arak levantando o olhar.
- Sim, a minha família já o tem há alguns séculos, mas só os meus pais é que o habitaram...
- De que famílias vens Iruvienne? - perguntou cada vez mais interessado o homem.
- Black, Lestrang, Pioggia - família italiana, e Hiems - uma família...
- Americana! - terminou a Sra. Tuten'arak com um sorriso.
- Sim, Sra. Tuten'arak, como sabia?
- Não me chames Sra. Tuten'arak, para além de ser difícil para ti de pronunciar, faz-me sentir mais velha... Chama-me antes Hera. - Hera sorria para Iruvienne abertamente pela primeira vez naquele dia. - Diz-me, a tua avó não é a Ailura? A tua mãe não é a Miriam, não?
- Er... sim... - respondeu a ruiva baralhada.
- Eu conheço a tua família! - acabou por esclarecer a senhora, com os olhos verdes a brilhar.
- Sim, as nossas famílias sempre foram muito amigas... - concordou o Sr. Tuten'arak.
- A tua avó andou comigo ao colo, e a tua mãe foi minha colega em Hogwarts... Chegou, inclusive, a andar com o Mike ao colo quando ele era pequeno...
- Sério? - Iruvienne já sabia uma parte daquilo, ou já suspeitava.
- Já não nos falamos há algum tempo, mas apenas por não termos tempo...
A conversa a partir daí fluiu muito mais naturalmente. Os pais de Mike aceitaram logo que Iruvienne ficasse lá em casa por quanto tempo ela desejasse e começaram logo a trata-la muito melhor do que haviam feito até aquele momento.
Depois do jantar, os quatro reuniram-se em volta da lareira e conversaram animadamente com os pais de Iruvienne, depois de terem pedido para lhes serem enviadas as malas da jovem para que ela pudesse ficar lá.
- Vamos dar uma volta? - Mike levantou-se, deixando os pais a continuar a conversa com os de Iruvienne, que já se haviam desmaterializado, para não terem de falar através das labaredas.
Mike levou Iruvienne para o exterior. A noite estava invulgarmente quente e as estrelas estavam muito brilhantes no céu. Ficaram lá fora por muito tempo, a falar sobre as férias e sobre o próximo, o ultimo, ano em Hogwarts. Por fim, quando Iruvienne quase adormeceu sob o ombro de Mike, resolveram entrar e ir dormir.
*
Os dois dias seguintes passaram-se bem depressa, entre visitas às pirâmides, passeios de camelos e banhos na piscina.
No terceiro dia de Iruvienne no Egipto (sexta-feira, 13 de Agosto) começou mais escuro do que os anteriores. Um leve e quente nevoeiro tornava tudo à volta deles mais escuro do que era normal.
Nesse dia, Mike e Iruvienne haviam combinado visitar uma pirâmide que os muggles ainda não tinham "civilizado" e, por isso, teriam de se desmaterializar para entrar na velha pirâmide.
- Por aqui. A pirâmide de que te falei fica a uns metros daqui. - disse Mike apontando para uma floresta enquanto se orientava no mapa.
- Tens a certeza que é por aí?... No meio da floresta?
- Estranho... Nunca vi esta floresta. Mas o mapa não mente, só pode ser por aqui. - continuou ele, cada vez mais confuso.
- Onde arranjaste o mapa? - perguntou Iruvienne suspeitando de que fosse um mapa muggle.
Mike emitiu um som estranho, e escondeu o mapa atrás das costas.
- Em lado nenhum. - Desculpou-se.
- Mike! - disse Iruvienne tentando tirar-lhe o mapa.
- Ok, ok. - disse entregando o mapa a Iruvienne, que pegou nele e começou a examiná-lo. - Encontrei-o dentro de um livro falso na biblioteca, eu comecei a suspeitar porque o meu pai tem pegado muito nele ultimamente... e às escondidas.
O mapa era bastante velho e no topo podia ler-se "Mapa Immanis", e apresentava muitos caracteres indecifráveis, com rastos que davam a uma grande pirâmide bem no meio do mapa, e à sua volta uma floresta bem densa, tal e qual à que estava à frente deles.
- Bem... depois vemos o livro... - disse Iruvienne passado algum tempo entregando-lhe o mapa de volta. - Agora, atravessamos isto ou voltamos para trás?
- Eu digo irmos em frente e explorarmos a floresta. Mas tenho de avisar-te que o meu pai contou-me que um amigo dele quando atravessou uma floresta como esta cá no Egipto nunca mais foi visto. - disse olhando para a floresta.
Iruvienne fitou Mike com um olhar assustado, porém, Mike parecia estar a aguentar o riso. Iruvienne engoliu em seco e Mike soltou um riso sonoro que ecoou pela floresta.
- Miúda! Devias ver a tua cara quando estás assustada! - disse Mike ainda na galhofa. - Estava a brincar... - continuou, tentando recompor-se - Eu nunca tinha ouvido falar de uma floresta no meio do Egipto. Sempre queres continuar?
- Oh... que lindo... foi divertido? - perguntou ela com um sorriso sarcástico.
- Desculpa. Continuamos? - perguntou, fazendo um gesto de convite para entrar na floresta.
- Continuamos... - respondeu ela ainda chateada.
Mike pegou-lhe na mão e encaminharam-se para a densa floresta à sua frente.
As àrvores não eram mais baixas que as da floresta proibida, e a claridade não era superior à de uma sala às escuras.
- Lumos - murmurou Iruvienne de varinha erguida.
- Bem pensado, - constatou Mike. - Lumos!
Com a luz das duas varinhas, tentando não tropeçar, mergulharam juntos na floresta.
Continuaram a caminhar em frente, evitando os ramos espinhosos que prendiam os mantos, enquanto conversavam:
- Tens tido notícias da Elyon? - perguntou Mike, tentando puxar um assunto.
- Sim, eu tenho estado com ela, tu irias gostar dela, se tivesses começado com o pé direito...
Porém, Mike não respondeu, estava perplexo a olhar para uma ave muito feia, de pelugem verde-lima muito brilhante.
- Mike? O que é que... - murmurou Iruvienne, fitando igualmente aquela criatura feia que pairava num galho com um ar preguiçoso.
- É um "Fwooper". - interrompeu Mike, parecendo adivinhar a pergunta de Iruvienne - Pode parecer inofensiva, mas o seu canto pode levar quem o ouve à loucura. Não te preocupes, eles são muito comuns aqui no Egipto, isto pode ser resolvido com um simples encantamento silenciador. - Nesse preciso momento, o Fwooper abriu a boca, parecendo querer bocejar-se, mas Mike foi mais rápido, e disparou uma faísca verde da ponta da sua varinha, que atingiu o Fwooper no peito. Do bico do Fwooper, não saiu nenhum som, apenas ar.
- Foi por um triz. - suspirou Mike, orgulhoso de si próprio.
- É... - respondeu Iruvienne olhando para o pássaro que estava ainda de boca aberta.
Quando parecia que o perigo tinha desaparecido, Iruvienne soltou um guincho. E com a varinha apontada para o meio dos arbustos, podiam ver-se vários olhos pequenos e flamejantes, que se espremiam por entre os arbustos e se aproximavam de Mike e Iruvienne.
Mike, sem pensar duas vezes, colocou-se à frente de Iruvienne e apontou a varinha às pequenas criaturas flamejantes. Porém, Iruvienne, já tinha soltado um Expelliarmus que atingiu em cheio numa salamandra e a repeliu para trás do arbusto. O resto das salamandras fitaram Iruvienne com os olhos vermelhos, abriram a boca e de cuspiram bolas de fogo.
- Glacius! - gritou Mike, congelando a chama, e reduzindo-a a nada.
Enquanto Mike tentava afastar as salamandras, lançando-lhes todos os feitiços uteis de que se conseguia lembrar, Iruvienne pensava na coisa mais lógica a fazer.
- Glacius! - gritou ela afastando uma que Mike não havia visto. Atrás destas vieram mais e Iruvienne decidiu o próximo passo. - Vem!
E, tropeçando e arranhando-se, os dois tentaram fugir dali, em direcção à piramide que já estava a vista.
- Mike! - gritou a jovem ficando ligeiramente para trás, presa num ramo.
Mike abrandou, deu meia volta e recuou em direcção à Iruvienne. Abrindo caminho por entre os ramos secos e espinhosos, chegou perto de Iruvienne, porém, uma cobra cor-de-laranja brilhante com riscas negras e três cabeças, aproximava-se da jovem. Mike virou as costas para observar a cobra que fitava Iruvienne. Os dois fitaram a cobra, petrificados por alguns segundos. Por fim, Mike abriu a boca e falou com a cobra.
Para grande espanto de Iruvienne, ela ouviu, pela segunda vez na vida, uma pessoa falar serpentês. Mike abriu a boca e apenas produziu algo que se assemelhava bastante ao som produzido pela cobra laranja. Durante algum tempo Mike falou com a cobra, como se fossem velhos amigos, embora as três cabeças não parassem de se tentar atacar e se contorcessem devido a algo que a jovem não entendeu.
Passados alguns minutos de conversa naquela estranha língua, quando a cobra voltou a rastejar pelo chão, escondendo-se atrás de uma pequena árvore que ali se encontrava, Mike retomou ao inglês e comunicou à namorada o que a cobra lhe havia dito:
- Ela disse-me que pensava que a íamos atacar... Está quase a por ovos e os ovos dela são muito procurados pelos feiticeiros para poções... Ela não fez por mal, apenas não sabíamos se éramos amigos ou não...
- Tu... Tu és serpentês! - exclamou ela.
- Sim... Sou... Mas escuta, ela falou-me dos ovos dela serem muito valiosos e, uma vez que somos amigos, perguntou-me se nós não os podíamos fazer desaparecer enquanto os ovos não estivessem prontos para o novo ser nascer...
- Erg.... sim... isso é possível... - respondeu Iruvienne. - A McGonagall ensinou-nos no quarto ano um feitiço, que apareceu nos NFBs, sobre como tornar uma coisa invisível....
- É isso!
Juntos, os dois viram o Runespoor "vomitar" os seus ovos para um buraco cavado no chão e depois fizeram-nos desaparecer totalmente com apenas um feitiço. Uma das cabeças do Runespoor falou com Mike e depois Mike traduziu à namorada:
- Ele agradece e diz que nos fica a dever um favor...
Depois de mais uma breve troca de silvos entre Mike e a serpente, os dois jovens encaminharam-se rapidamente para a pirâmide doirada, sob o quente sol Africano.
- Temos de nos desmaterializar lá para dentro... - constatou Iruvienne depois de darem uma volta inteira à enorme pirâmide. - Não há portas...
Mike concordou, e tentando não errar, pois nunca tinham estado no lugar onde se queriam desmaterializar, os dois lançaram o feitiço de desmaterialização.
- Lumos - murmurou Mike mal se viu afogado na escuridão. Iruvienne agarrou-lhe a mão livre, ela não estava a gostar nada daquilo.
- ... E?.... Que esperas encontrar cá dentro? - perguntou a ruiva olhando à volta, para as paredes cobertas de hieróglifos.
- Não sei... mas era bem divertido encontrar-mos um túmulo...
- Oh... sim... deve ser super divertido encontrar uma pessoa morta à mais de mil anos...
- Não sejas assim! Vá... - respondeu ele encostando-se a uma parede secreta, que rodou transportando os dois para o outro lado.
- Mike!!! - reclamou a Ravenclaw.
- Erg... não era suposto isto acontecer... - respondeu ele no escuro, uma vez que a varinha se tinha apagado sem aviso prévio. - Lumos!
Continuaram na escuridão, gritando feitiços a ambas as varinhas, que não respondiam. De repente, à frente deles acenderam-se duas tochas e, entre elas, encontrava-se um ser mágico que eles já haviam ambos observado ao longe, durante a terceira tarefa, dois anos antes. Com um imponente e doirado corpo de leão e uma elegante cabeça de mulher, apoiada nas patas traseiras, como um felino que se prepara para atacar, o monstro abriu a boca num sorriso.
- Uma esfinge... - murmurou Iruvienne agarrando-se mais a Mike. - Se ela acha que estamos a ameaçar o seu tesouro...
- Estamos feitos... - terminou Mike.
- Que procuram? - perguntou a esfinge, com uma voz misturada de mulher e leão.
- Nós... Nada... - respondeu honestamente Iruvienne.
- O que não procuram? - voltou ela a perguntar.
- Erg... Procuramos sempre por alguma coisa... - respondeu Mike, e depois sussurrou para a namorada. - Responde também misteriosamente, já lidei uma vez com uma, mas ela caiu morta antes de sequer me perguntar qualquer coisa... o que não me parece que venha a acontecer desta vez...
- O que procuramos poderemos achar, se nos deixar passar... - Iruvienne não se sentia nada Ravenclaw, frente a uma esfinge que certamente era mais sábia e inteligente do que todos os Ravenclaw juntos.
- Para por mim poderem passar, um enigma terão de decifrar...
- Diz lá então, tentaremos se não, até amanha aqui iremos ficar...
- Apenas uma hipótese terão, por isso pensem bem ou comer-vos-ei ao serão.
"Um evento, uma comemoração,
30 anos no poder,
Um rei, um faraó um líder até ver,
Para se restabelecer algo terá que fazer."
- Oh oh... - murmurou Iruvienne ao perceber que era um enigma sobre o antigo Egipto. - Eu espero bem que tu saibas alguma coisa do sitio onde vives...
- Bem... para falar a verdade...
- Mike!
- Sei um bocado... Deixa-me pensar... - respondeu ele fitando o monstro que os aguardava. - Bem... então é uma festa ou coisa parecida...
- Sobre um faraó que será líder por mais algum tempo, supostamente....- ajudou Iruvienne sentando-se no chão, iriam passar ali muito tempo. - E que é faraó à pelo menos 30 anos...
- Sim... e que tem de fazer alguma coisa....
- Lembraste de algo parecido?
- Nem por isso... - respondeu ele sentando-se também. A Esfinge aproveitou e sentou-se também, nas patas traseiras, continuando a fita-los à procura de uma resposta.
- Bem... eu não vivo aqui... mas... não havia uma festa onde os nossos, os feiticeiros, tinham sempre de ajudar o faraó? - perguntou Iruvienne passado severos minutos.
- Sim! É isso! Tens razão... - respondeu ele a sorrir. - Fazia-se dantes uma festa... Em que se tinha de erguer um pilar! E eles diziam que isso restabelecia as forças do faraó!
- É isso... - concordou ela, e depois, parecendo menos feliz percebeu: - Só nos falta o nome disso...
- Eles fazem oferendas à deusa... erg... Harthor... e.... o nome do pilar é Djed... e... - Mike tentava a todo o custo puxar pela memória, na esperança de os conseguir tirar dali.
- O vosso tempo a esgotar-se está, e eu posso ser muito má... - interrompeu a Esfinge, com os olhos a brilhar.
- O pilar! O erguer do pilar não simboliza também a ressurreição do deus Osíris? Aquele que foi morto pelo irmão... o Sed ou Set, ou coisa assim?
- É ISSO! - respondeu Mike dando um pulo. - És um génio Iruvienne! É a festa Sed! A Grande Festa Sed!
- A mania às vossas varinhas vai regressar, e ponham-se a andar! - exclamou a Esfinge, saindo relutantemente do caminho. - é melhor que à minha frente não voltem a passar ou não se irão safar!
Aliviados, os dois desmaterializaram-se imediatamente em casa de Mike, para não terem mais surpresas pelo caminho...
Epílogo
Iruvienne apenas esteve em casa dos Tuten'arak por mais dois dias, depois disso recebeu uma coruja urgente dos pais, a lembrar que ela teria de fazer a sua festa antes de 1 de Setembro, data essa que se aproximava a passos largos.
- Iruvienne - chamou a senhora Tuten'arak do andar de baixo.
- Sim... Já desço - respondeu-lhe a jovem enquanto arrumava a ultima t-shirt na mala.
- Já te vais embora... - suspirou Mike vendo-a fechar a ultima mala.
- Erg... tem de ser...
- Não podes mesmo ficar cá mais um dia?
- Não, sabes que não...- respondeu-lhe ela com um sorriso forçado enquanto se penteava em frente a um espelho.
- Quando é que nos voltamos a ver?
- Rapidamente... Muito rapidamente... - respondeu ela deixando os braços cair ao lado do corpo. – Vamos?
- Espera - Mike saltou rapidamente da cama apanhando o braço de Iruvienne que já estava a abrir a porta. - Quero me despedir de ti como deve de ser...
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