Fics 19 - "Planos e Velhos Amigos "

As aulas já tinham começado à uma semana, e apesar dos esforços de Daniel para encontrar a sua irmã, continuava sem sinais dela. O rapaz dirigia-se para a biblioteca, pois agora aproveitava todos os intervalos para pesquisar nos registos de Hogwarts, porque se ela estava em Hogwarts, tinha de lá estar o seu nome.
Contudo foi desviado do seu destino quando avistou ao longe, alguém de quem já ouvira falar, há poucas horas, e que não via há alguns anos.
- Lavynio? - perguntou o Ravenclaw surpreendido.
- Daniel? Não posso acreditar! - Os dois rapazes aproximaram-se um do outro e cumprimentaram-se com um antigo gesto usado por eles noutros tempos.
- Está a ver que nunca mais te encontrava... Ouvi falar sobre o "novo penteado" da Iruvienne. Adorei! Só tu para te lembrares de algo assim...
- Sinceramente, o Dumbledore devia prezar por uma melhor selecção dos alunos que frequentam esta escola. - Respondeu o rapaz feliz pelo elogio do antigo amigo.
- Não concordo muito com essa... Mas a Iruvienne podia não fazer parte desta escola. Era um favor que ela fazia a todos nós! - disse animado Daniel.
Já não via Lavynio a alguns anos, mais precisamente após a sua entrada em Hogwarts. Costumavam brincar em pequenos, juntamente com Malfoy, mas sempre tiveram algumas divergências em relação às opiniões de cada um.
- Tão que então um Ravenclaw? Não esperava, mas antes assim que Hufflepuff. - Lavynio gostava do amigo mas nem por isso deixava de ter um tom de voz insinuante.
- Pois... - Daniel já não estava a gostar muito do rumo que a conversa estava a tomar.
Então, como que para o salvar, Bella apareceu ao fundo do corredor. Tentando fugir a uma discussão, o Ravenclaw decidiu então apresentá-los.
- Bella! - chamou o rapaz.
- Daniel! Há imenso tempo que não falava contigo! - disse a loira não reparando na presença de Lavynio.
- Pois... Não tenho tido muito tempo. A Elyon ocupa todas as minhas horas livres. - explicou-lhe o rapaz, sorrindo. - Olha, eu queria apresentar-te um grande amigo meu, é o...
- Oh, nós já nos conhecemos, não é querida? - Interrompeu o Gryffindor com um sorriso amarelo e pondo um braço comprido em volta de Bella.
- Claro que sim... Não podíamos ser mais amigos, não achas? - respondeu a rapariga cinicamente
Lavynio desviou o olhar do seu amigo de infância e puxou Bella com um sorriso até um canto da biblioteca.
- Ouve bem estúpida, ai de ti que abras a boca sobre mim em frente ao Daniel senão aí é que a palavra bruxa vai começar a combinar verdadeiramente contigo pois o teu nariz transforma-se na Verrugólândia. - Ameaçou Lavynio apertando o braço de Bella com demasiada força. Bella era capaz de lhe lançar mil feitiços naquela altura, mas Madame Pince estava à espreita.
- Não te preocupes que eu não vou descer ao teu nível. Mas se não queres que o Daniel fique desapontado com o teu comportamento, que tal começares por seres um cavalheiro e largares o meu braço? - disse Bella engolindo a raiva e falando como se estivesse a comentar o tempo - E, lembra-te, que eu não vou fazer isto por ti, mas pelo Daniel que não merece saber que tem um amigo como tu.
- Acho bem. Talvez as coisas entre nós algum dia sejam diferentes. - Disse o rapaz irónico.
- Eu tenho melhor gosto.
- Estúpida!
- Pelo menos não tenho necessidade de descer a esse tipo de linguagem para afectar os meus oponentes.
- Conversa de bruxa pseudo-intelectual! - Cuspiu o outro largando a rapariga loira e afastando-se. Ao voltar para perto de Daniel a sua expressão era o oposto da usada segundos antes.
- Daniel... - disse Bella com um sorriso que não deixava transparecer a raiva dentro dela - Lamento imenso em deixar-te aqui sozinho com o Lavynio, mas tenho k ir para a minha próxima aula...
- Eu vou ter Herbologia com aquela velha gorda, uma seca autentica!
- Mas que coincidência! Eu também... - disse Bella sorrindo provocantemente
- Oh, mas isso é óptimo, podemos ir juntos! - Disse Lavynio respondendo à provocação de Bella com o olhar.
- Exactamente! Eu também vou ter Herbologia... Mas não sei porque é que não gostas, Lavynio... Mas discutimos isso no caminho para as estufas. - disse Daniel, inconsciente das provocações dos amigos.
- A mulher é um pote, sempre toda suja! Não há quem aguente, ela e as suas plantinhas mirabolantes! - Respondeu Lavynio sempre com a língua afiada.
- Pelo menos até a acho bastante afável... não é arrogante... - comentou Bella com uma ênfase especial na última palavra - Só não gosto de trabalhar com a terra....
- É de estranhar que não gostes... - Começou Lavynio mas emendou-se logo. - Quer dizer és uma rapariga tão certinha...pensei que gostasses de tudo!
Daniel continuava a não perceber nada do que se estava a passar. Nem sequer percebera que se estava a passar algo.
- Um erro cometido frequentemente pelos mais desatentos... Depois quando brincam com o fogo, queimam-se, obviamente.
No caminho até às estufas, Bella e Lavynio continuaram a sua discussão, no entanto Daniel não estava a ouvi-los. Ainda pensava numa maneira de encontrar a sua irmã, e no entanto não lhe ocorria nada...
- Daniel! - gritou uma voz perto dali.-
Desculpem, mas tenho de ir. Preciso de estar um bocadinho com a Ely. Ainda não falamos hoje... - disse o rapaz aos amigos, virando-lhes imediatamente as costas.
- Finalmente que eles se entenderam depois de tudo o que aconteceu o ano passado... - comentou Bella esquecida que estava a falar com Lavynio
- O que é que aconteceu o ano passado? - perguntou o rapaz num tom de voz simpático que raramente usava. Bella era uma rapariga bastante bonita e só agora Lavynio estava a reparar nisso.
- Digamos que o Draco foi uma má influência para o Daniel, e que lhe andou a pôr ideias malucas na cabeça... - respondeu a loira admirada pelo tom de voz do rapaz, que por uma vez não era nem arrogante nem ofensivo.
- O Draco tem os seus defeitos, mas lá no fundo... - continuou Lavynio expressando a sua admiração pelo seu maior amigo.
- Se a há, nunca vi essa faceta do Malfoy... Ele faz questão de a manter bem escondida.
- NÃO É BEM ASSIM! - gritou Lavynio irritado, mas ao olhar para os olhos da rapariga não foi capaz de voltar a discutir com ela. - Desculpa... - acabou por se redimir.
- Tudo bem... Eu só falo do que vi, mais nada.
- Nem tudo o que parece é. - terminou Lavynio deixando no ar a certeza que sabia mais do o que dizia.
- Talvez. Mas agora se não nos despacharmos chegamos atrasado à aula.
Lavynio e Bella apressaram-se pelos campos até esbarrarem acidentalmente com o irmão da rapariga.
- Chris! - gritou Lavynio vendo o amigo. O que ouviu a seguir da boca de Bella deixou-o em estado de choque.
- Maninho! Atrasado para a aula de Herbologia?
- Tu e ele? Não, diz-me que não! - gaguejou Lavynio incrédulo.
- Eu e ele o quê? - perguntou Bella enquanto se ria do rapaz que não continha o espanto
- São....é impossível...!
- Eu também acho impossível ser irmão da Bella... Quer dizer... Eu sou muito mais giro, e simpático... Mas é a vida! - comentou Chris recebendo de seguida um olhar fulminante da irmã.
- Pois...realmente não têm muito em comum... - concordou Lavynio olhando mais uma vez para Bella de cima abaixo.
- Muito obrigada pela parte que me toca! - sorriu a rapariga
- Nada contra! - apressou-se a dizer Lavynio. - Apenas nunca me passou pela cabeça que fossem irmãos. Conheço o Chris razoavelmente bem.
- Admira-me que não soubesses que nós somos gémeos... Quase todos os Gryffindor sabem disso... - informou Chris
- Digamos que não me relaciono muito com os Gryffindor...costumo estar mais no piso de baixo... - explicou o rapaz envergonhado.
- Talvez devesses começar a dar-te melhor com o piso de cima.
- Talvez tenhas razão....mas olhem a aula já começou!
- Ups... Despachem-se! - avisou Bella começando a correr em direcção à estufa.
Quando os três chegaram lá dentro já todos estavam sentados e a Prof.Sprout já começara a falar sobre o trabalho da aula.Lavynio correu até a um lugar vago perto de Draco Malfoy e os seus amigalhaços, deixando todos os Gryffindor a olhar e a tecer comentários. Deveria ser a primeira vez na história de Hogwarts que um Gryffindor se dava tão bem com a Casa Verde.
- Porque vieste com aquela? - perguntou Draco a Lavynio fazendo menção a Bella.
- Por nada de especial... - respondeu Lavynio vagamente começando a tirar as suas coisas para a aula. Apesar de tudo não tinha desgostado de Bella.
- Ela não é como nós Lavynio! Ela é escumalha. - continuou Draco.
- Também não é bem assim! - disse Lavynio um pouco mais alto do que era de esperar.
- Mr. Inner, porque não está a fazer par com alguém da sua casa? Assim ditam as regras de Hogwarts.
- Porque não professora, eu decido ao pé de quem trabalho. - replicou Lavynio cheio de azedume.
- Isso pode prejudicar a sua equipa em pontos. - continou a professora gorducha irritando Lavynio.
- ESTOU FARTO! FARTÍSSIMO MESMO! EU NÃO TENHO CULPA DE NÃO TER AMIGOS E DE NINGUÉM GOSTAR DE MIM!
O rapaz levantou-se muito vermelho, pegou nas suas coisas atabalhoadamente e saiu da sala derrubando vasos e plantas. A Professora Sprout assim como toda a turma ficaram verdadeiramente espantados, e tiveram a sensação de verem lágrimas deixadas por Lavynio. O rapaz Gryffindor correu para a floresta com um misto de sentimentos no peito.
~*~
O assunto mais falado em Hogwarts durante o resto desse dia fora a saída tempestiva do Lavynio Inner da aula de Herbologia. Não voltara a aparecer nas aulas essa tarde, e ninguém sabia por onde andava.
- É claro que ele não tem amigos... Acha-se superior a toda a gente, e depois chora porque ninguém gosta dele? Por favor! - comentou Iruvienne depois de ter ouvido Elyon relatar os acontecimentos pela décima vez nessa tarde.
- Mas é exactamente isso que eu não percebo. Ele até consegue ser bastante simpático. Porquê insistir naquela arrogância toda? - defendeu Bella pensativa
- Bella! Como podes dizer uma coisa dessas? Viste o que ele fez ao cabelo da Iruvienne? Ele não pode ser simpático e fazer uma coisa dessas. - disse Elyon chocada
- Ely... Eu conversei com ele por algum tempo a caminho da aula. E conversámos, não discutimos. Durante esse tempo ele não fez nada de mal.
- Acho que a Bella tem razão. Ele pode ser simpático... Só deve ter feito aquilo das larvas porque tu o atacaste, Iruvienne... Já alguém o encontrou? - perguntou Annie
~*~
Bella dirigia-se para a Floresta Proibida. Era para lá que Lavynio tinha ido, e a rapariga tinha um pressentimento que ninguém o tinha ido procurar ainda. Ao entrar na Floresta sentiu um arrepio gelado percorrer-lhe a espinha. A Floresta era enorme e Lavynio podia estar em qualquer sítio. Podia ter sido até atacado por algum animal que lá habitasse.
'Poderia ser verdade o que ele tinha dito sobre não ter amigos?' Bella foi arrancada dos seus pensamentos por uma pequena gata preta que apareceu por entre os arbustos. Tinha quase a certeza que pertencia ao rapaz. Decidiu segui-la na esperança que a levasse até onde Lavynio se encontrava.
- Lavynio? - chamou a rapariga ouvindo um restulhar de folhas. - Lavynio?
De repente, Bella foi atirada ao chão largando a sua varinha. Estava imobilizada por um enorme monstro que reconheceu das aulas de Cuidados com as Criaturas Mágicas. Um Quintaped.
Bella estava realmente em apuros, uma enorme e peludíssima criatura estava em cima do seu corpo frágil e preparava-se a qualquer momento para a atacar. Antes de tudo isto acontecer Esther, a gata preta de Lavynio Inner correu assustada para dentro da floresta com os seus pequeninos olhinhos amarelos a brilharem enigmaticamente.
Lavynio ouviu um grito no preciso instante em que a sua gata aparecia dos arbustos. Percebeu de imediato que Bella estava em apuros e correu para o local enquanto Esther o guiava.Lavynio limpou o rosto vermelho das lágrimas e empunhou a sua comprida varinha preta, contraiu o rosto enquanto atravessava apressadamente os arbustos que lhe feriam o rosto e os braços desnudos e pálidos. Chegou ao local onde o ataque se desenrolava e deparou-se com um enorme e monstruosamente peludo Quintaped que se prostrara por cima de Bella e a ameaçava com os seus dentes amarelos e afiados.
- EXPELLIARMUS! - Gritou o rapaz convictamente com a sua gata especial escondida atrás das suas pernas. O feitiço não provocou quase efeito no corpo maciço do Quintaped.
- SECTUMSEMPRA! - Este fora Malfoy que lhe ensinara. O animal de proporções hercúleas uivou no fim de tarde e espirrou sangue do focinho tombando para o lado e esperneando-se furiosamente. - PETRIFICUS TOTALUS! IMOBILUS! - Estes dois feitiços completaram o salvamento de Bella e paralizaram de imediato o monstro da floresta que visto assim até dava pena.Lavynio guardou a varinha nas suas jeans totalmente Muggles e correu para perto de Bella limpando o suor frio da testa.
Puxou a rapariga do chão, que por milagre não estava ferida e perguntou-lhe envergonhado por reparar que ela estava a olhar para a sua cara com marcas visíveis de choro:
- Estás bem? O que estás aqui a fazer?
- Eu... vim à tua procura... não voltaste às aulas... - disse Bella ainda em choque
- À MINHA PROCU... - Gritou Lavynio com a habitual arrogância mas parou a meio da frase. - Estás a falar a sério? É que nunca ninguém tinha feito isto por mim desde que vim para esta escola...er...obrigado! - Disse ele envergonhado e ficando ainda mais vermelho do que o que já estava.
Bella sorriu ao ver o rapaz atrapalhado.
- Eu é que tenho que agradecer por me teres salvo daquela... coisa... - disse com cara de nojo- Nada a agradecer! Nada destas coisas que mete medo excepto aranhas e coisas parecidas! - Confessou o rapaz rindo-se também. - Mas não precisavas de ter vindo...eu já estou habituado a que ninguém se importe comigo...sabes como é não sou lá muito conhecido pela minha simpatia! Às vezes tenho vontade de nunca ter recebido aquela carta à cinco anos, eu era muito feliz em casa do meu tia e da minha prima mas por outro este mundo é o meu mundo e não o posso negar não é verdade? Independentemente de gostarem de mim ou não...se tivesse recusado a inscrição de Hogwarts tudo seria diferente e eu hoje sentiria-me vazio e incompleto
- Eu tenho o terrível defeito de me preocupar com a maior parte das pessoas que me rodeiam. - disse Bella sorrindo - Mas pelo menos és feliz aqui em Hogwarts, não?
- Posso-me considerar feliz sim...divirto-me bastante! Sempre é melhor que aturar algo parecido com Matemática! Fazes ideia do que é? - Perguntou o rapaz sorridente.
- É alguma coisa parecida com Numerologia, não é?
- Bem pior acredita! Quando vou passar as férias a casa do meu tio bem vejo o que a minha prima sofre com aquilo! É nojento! Imagina fazeres contas com numeros e letras tudo junto! NOJENTO!!!A rapariga ria-se agora a bandeiras despregadas perante o exagero de Lavynio.- Vá lá... não pode ser assim tão mau!
- Acredita que é! Mas também não é pior que a fome com que estou...
- Então o que é que estamos aqui a fazer? Vamos voltar para o castelo.
Bella sorriu, Lavynio mostrara ser melhor pessoa do que parecia. Seguindo o rapaz encaminhou-se para o castelo, pensando na merecida refeição que os esperava nas paredes seguras de Hogwarts.

Epílogo
Já havia passado algum tempo desde o incidente de Lavynnio na aula de Herbologia, e à medida que o tempo passara, tal história estava agora completamente esquecida. Hogwarts encontrava-se a meio do mês de Setembro, um mês calmo, sem testes nem provas que exigissem muito estudo, mas isso não impedia Daniel de visitar a biblioteca todos os dias, por vezes passando até por lá, mais do que uma vez.
- Onde está aquele livro que eu?... - murmurava Daniel para si. - Aqui está! Bem me parecia que estava por aqui.
Pegando no livro com todo o cuidado, pois Madame Pince observava-o pelo canto do olho ao mesmo tempo que arrumava uma estante, dirigiu-se para uma mesa. Contudo, antes de poder iniciar a sua pesquisa habitual, foi distraído ao vislumbrar uma cabeleira loira a entrar no seu campo de visão.
- Bella! - chamou o rapaz, sendo repreendido imediatamente pela bibliotecária.
- Dan! O que é que estás aqui a fazer? Devias estar lá fora, está um dia lindo! - respondeu a rapariga
- O mesmo digo-te eu... Mas, respondendo à tua pergunta, vim... Vim estudar um pouco.
- Registo Anual dos Alunos de Hogwarts?!- perguntou Bella espantada - Isso não me parece um livro de estudo.
- Pois... Pois não...Mas... Estava só a ver como é que é o livro...
- Sim... Tenho a certeza que um registo de há cinco anos atrás deve ter muito interesse para ti. A menos que estejas a procurar alguém... - insinuou Bella
- Eu?... À procura de alguém?... Porque dizes isso? Não tenho ninguém para procurar... Olha, vamos mudar de assunto, não vale a pena estar a falar de algo que não nos leva a lado nenhum... - sugeriu o Ravenclaw. - Como vão as coisas entre ti e o Lavynnio?
- Não. Nem penses que vais mudar de assunto. Estás à procura de alguém. Sempre que começas a falar muito depressa é porque estás nervoso. Se estás nervoso é porque me estás a esconder algo. Que eu assumo que seja o que estás a fazer aqui na biblioteca com esse livro na mão.
- Agora quem está a mudar de assunto és tu... Tu e o Lavynnio estão a dar-se assim tão bem? - perguntou Daniel, tentando esquivar-se das acusações da rapariga.
- Daniel Potter, não venhas com esses jogos para cima de mim. Se não me contas o que se passa vou ter que falar com a Ely. - ameaçou a loira
- Falar com a Ely?... Não há necessidade disso... Olha, não queres ir até aos campos? - questionou o rapaz, voltando as costas à amiga e arrumando aquele maldito livro.
- Depende. Vais-me contar o que se passa, ou não?
- Contar o quê? Não há nada para contar... Vamos andando... Está muito calor aqui, não achas?
E, ao mesmo tempo que ia contornando as perguntas insistentes de Bella, Daniel conduziu-a para fora do castelo.
- Eu não disse que aqui estaríamos melhor?
- Eu nunca disse o contrário, pois não? Daniel, olha, se não me quiseres contar o que é que se está a passar, tudo bem; mas só espero que saibas que se precisares de mim eu vou estar aqui.
- Desculpa Bella, mas... Eu não posso mesmo... Quer dizer, sem falar primeiro com a Ely. Antes de contar a quem quer que seja, a primeira pessoa a sabê-lo deve ser ela. Mas, quem sabe se depois disso eu não te conto!? - exclamou o rapaz, tentando animar o ambiente.
- Claro - disse a loira sorrindo - Pensando melhor... proíbo-te de me contares o que quer que seja sem a Ely saber antes. A menos que seja uma surpresa.
- Podes ter a certeza que vai ser uma surpresa... Mas não desse tipo... - respondeu Daniel, deixando transparecer um leve tom de ironia.

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