Fics 2 - "Operação Sapa Velha"

Parte I_ Adoçando Malfoy

_ Malfoy? _a cabeça aos caracóis de Elyon espreitou pela porta da enfermaria. Teve de se conter para não desatar a rir: a cara do rapaz ainda apresentava vistosas manchas vermelhas. Aquele feitiço devia ter sido realmente forte para estar a dar tanto trabalho a Madam Pomfrey.

_ Fora daqui Somniare! _respondeu o slytherin.

_ Sempre com uma palavra simpática, o meu priminho... vim eu aqui, cheia de boas intenções... Olha, trouxe-te uns chocolates. Já que nem na tua própria equipa te respeitam.

_ Como te atreves? Eu sou o tipo mais respeito desta escola! _exclamou Malfoy com presunção e abrindo um dos chocolates.

_ Vê-se pelo que a d'Cler te fez...

_ A espertinha não foi a d'Cler, embora essa também... ela que espere. Foi a Neveu.

_ Neveu? Bella Neveu dos Gryffindor?

_ Essa mesma. Se ela pensa que isto vai ficar assim! O meu pai... que esquisito, estou a sentir um formigueiro na língua...

_ Talvez seja falta de doce. Come mais uns poucos, vais ver que logo passa. Até mais, Malfoy. _ e, sem esperar resposta, Eloyn abandonou a enfermaria.

Parte II_ Pergaminhos

_ Tu fizeste O QUE?

_ Angel, ou falas mais baixo ou vais virar o centro das atenções. _replicou Elyon, espreguiçando à sombra do grande carvalho à beira do lago.

_ 'Tá bom. _respondeu Angel, normalizando o tom de voz. _ Mas ires à enfermaria e dares chocolates língua pé-de-légua ao Malfoy é caminho directo para a detenção!

_ Não. O Malfoy tem medo que eu saia por aí a espelhar que somos primos. Que aconteceria à sua reputação de sangue-puro se descobrissem que ele é primo da neta de um busca-pé e de uma Muggle?

_ Ei! Porque eu nunca me lembrei de usar isso contra ele?

_ Porque quem usa a cabeça aqui sou eu.

_ Engraçadinha...

_ Ok, agora vamos falar de coisas sérias. Precisos que metas isto no quadro de avisos dos Gryffindor. _pediu Elyon, com uma expressão séria e entregando-lhe um pergaminho. Ficaram ambos em silêncio enquanto Angelus lia o que estava lá escrito.

_ Não achas que andas a abusar da sorte? _ Perguntou por fim o rapaz.

_ No risco é que está a piada. E o que ela me pode fazer de tão mal? Uma detenção. Por uma coisinha dessas durava duas semanas no máximo.

_ As detenções dela são a doer. O Lee e o Potter ficaram com as mãos cortadas.

Elyon apenas encolheu os ombros e levantou-se.

_ Se for apanhada fui. Só quero que faças isso sem te verem. Estou farta de andar nesta ditadura sem fazer nada.

_ Onde vais? _perguntou o irmão ao ver a rapariga afastar-se apressadamente.

_ Procurar a pessoa capaz de concordar em por uma cópia desse pergaminho na Sala de Slytherin.

_ Quem...?

_ Nicole d'Cler.

Parte III_ Nicole D'Cler

Agora, aonde eu estaria se fosse uma slytherin? Pensava Elyon, caminhando pelos corredores do castelo. Distraidamente olhou para o pátio interior. Lá estava d'Cler, com um grupo de gryffindors. Estranhas companhias para uma slytherin... mas isso pouco importava agora.

_ D'Cler? Posso falar contigo um instante? _ Perguntou, aproximando-se do grupo. Nicole d'Cler olhou de uma forma estranha para a ravenclaw.

_ Que foi? Vieste a mando da querida directora?

_ Não me ofendas relacionando-me com essa sapa velha. Mas é uma coisa capaz de te agradar. Se poderes...?

_ Ok. Eu já volto. _disse Nicole, dirigindo-se aos amigos. _ É bom que seja mesmo do meu interesse, qual é mesmo o teu nome?

_ Somniare. Mas podes chamar-me de Elyon. Olha, podias colocar isto no placar da Sala de Slytherin? _perguntou Elyon entregando-lhe uma cópia do pergaminho que tinha entregado minutos antes ao irmão. Mais uma vez, houve silêncio enquanto a outra lia o que lá estava escrito. Um sorriso malandro começou a formar-se nos lábios de Nicole.

_ Com toda a certeza! Amanhã isto vai estar à vista de todos os slytherins.

_ Óptimo! Até depois, então.

_ Até. _respondeu Nicole arrumando o pergaminho e juntando-se novamente ao gryffindors. Estava tudo a correr como planeado. Dobby trataria da sala dos Hufflepuff, o irmão dos Gryffindor e ela própria dos Ravenclaw. Nicole D'Cler tinha caído do céu. Se não fosse a rapariga, Elyon não sabia quem mais poderia colocar o texto em Slytherin.

Parte IV_ "Não à Ditadura Umbridgeana!"

"NÃO Á DITADURA UMBRIDGEANA

Na década de 30, 40 a Europa foi "invadida" por uma autêntica "febre das ditaduras". Aparentemente, a Inglaterra escapou, mais, ajudou na "cura" dessa "febre". Mas agora, Hogwarts parece ter viajado atrás no tempo e estagnado nessa época. Mais um odioso nome se juntou aos detestáveis nomes de Mussolini, Estaline e Hitler. Esse nome é DOLORES UMBRIDGE.

O espelho da alma podre e orgulhosa da insignificância que temos como Ministro da Magia _aliás, o facto de Cornelius Fudge ser terceira escolha como ministro é já de si relevante_ espalha a discórdia, o ódio e a revolta. Todavia, Umbridge é um daqueles casos em que o feitiço se volta contra o feiticeiro... Apesar da discórdia produzida, o ódio e revolta por ela gerados tornou-nos mais unidos, mais ousados, mais desafiadores... NÃO ao rebanho de ovelhinhas disciplinadas que ela quer que sejamos, NÃO à ditadura, NÃO ao pensamento único e SIM ao livre-arbítrio, à liberdade, à possibilidade de expressão!

Uma das coisas que mais me revolta na Sapa Borbulhenta é a maneira como ela se auto-domina. Grande Inquisidora-Mor. Se o meu exemplar de "História de Magia" não está errado, "Inquisidor" era um importante membro da "Inquisição", uma associação religiosa Muggle da Idade Média, em que caçar e queimar bruxas era um dos principais objectivos... a observação está feita, tirem as vossas conclusões.

A Inquisição acabou, as ditaduras europeias também. E isso só foi conseguido graças ao esforço da população, Muggles e feiticeiros, da época. Camaradas, a Umbridge não é intocável. Ela é VULNERÁVEL. UNEMO-NOS e LUTEMOS contra a coisa que se infiltrou, tal como um nojento líquido verde e malcheiroso, na nossa bem-amada escola. NÃO À DITADURA!

Diz ela: sou a alma do Ministério!

Oh!, que corrupto mistério,

Reina nessa administração

Para ter tão decadente coração?"

Na manhã seguinte, alunos de todas as casas aglomeravam-se em volta do quadro de avisos das respectivas salas...

Epílogo

Bocejando, Elyon entrou no gabinete da directora. Sabia que não fora chamada por causa da noite anterior, ou Bella estaria lhe fazendo companhia.

_ Entre, minha querida. _convidou Umbridge num tom de voz que demonstrava que não achava a rapariga "querida" nenhuma. _ Eu tenho estado a chamar os meus alunos um a um...

Então talvez não seja nada com o "Não à ditadura Umbridgeana"...

_ ... por causa deste... hum hum... artigo.

Ou talvez seja.

Enquanto fingia que lia o pergaminho, Elyon esforçava-se por conter um sorriso. A agir daquela maneira, Umbridge estava dando aos alunos que não tinham lido o artigo a possibilidade de o fazerem.

_ Você se lembra do que eu disse no principio do ano, não lembra minha querida?_ disse Umbridge quando a corvinal lhe devolveu o pergaminho. _ Se houver qualquer coisa que queira me contar...

_ Lamento, mas não há nada que eu possa lhe contar. _interrompeu Elyon, dizendo a verdade.

_ Pode ir, então. Devem ter sido aqueles... _mas a rapariga não chegou a ouvir a opinião de Umbridge, pois já tinha saído fechando a porta com força.

Autores: Elyon

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