Fics 9 - "Maus Caminhos " |
Ultimamente Daniel não via Elyon. Via-a por vezes passar com uma rapariga de Ravenclaw, a Iruvienne, da qual já tinha ouvido falar. Daniel estava feliz pela amiga, tinha entrado na equipa de quidditch, tinha arranjado novos amigos e tinha até causado mais problemas a Umbridge, mas…
Os seus pensamentos foram interrompidos, ao sentir que estava a ser seguido. Estava um dia lindo, e como ainda estava na hora do almoço, todos passeavam pelos corredores de Hogwarts. Provavelmente era só uma impressão e ninguém o seguia.
Daniel decidiu ir para a biblioteca ler um pouco, era algo que gostava muito de fazer, e que o animava sempre que estava em baixo.
Mas durante o seu percurso até à biblioteca não deixou de pensar em como a ausência de Elyon no seu dia-a-dia o estava a afectar. Seria apenas por ter sido a sua primeira amiga? Por ser a sua melhor amiga? Ou por ser algo mais?
Não era a primeira vez que Daniel tinha esta sensação, pois já a tinha sentido quando Umbridge quase descobriu que tinha sido Elyon a colocar todos aqueles pergaminhos a insultar a directora. Mas nessa altura, Daniel pensara que apenas se sentia assim porque não queria que a sua amiga fosse castigada. Mas e se não era só isso?...
Ao chegar à biblioteca, devido à sua distracção, chocou com alguém. Ao levantar-se reparou que tinha chocado em Bella, a sua amiga gryffindor.
- Desculpa Bella. Não te vi…
- Acho que deu para reparar… Porque vinhas tão distraído?
- Vinha a pensar num trabalho de herbologia. – disse Daniel mentindo.
- Tudo bem. Vai lá fazer o teu trabalho. Eu tenho que ir.
- Está bem. Até logo.
Sem esperar pela resposta da amiga dirigiu-se à secretária da Madam Pince.
- Olá Daniel. Vieste ler mais um monte de livros?
- Que exagero… Até parece que devoro as estantes. Podia dizer-me se chegou mais algum livro novo sobre criaturas mágicas ou feitiços Madam Pince?
- Chegou sim. Vais gostar muito dele.
- Qual é o livro? – perguntou Daniel já bastante intrigado.
- O nome é: “Feitiços Úteis para Ocasiões Desesperadas”. Tem feitiços do tipo “Alohamora” Está naquela estante ali. – disse Madam Pince apontando para a referida estante. – Vai-te sentar que eu levo-te lá o livro.
Daniel dirigiu-se para a sua mesa predilecta, uma que se situava num canto da biblioteca, completamente rodeada por estantes, o que impossibilitava que alguém o visse, a menos que se dirigisse para a mesa.
Daniel ouviu passos e julgou ser Madam Pince, mas tal não foi o espanto quando viu que não era Madam Pince, mas sim…
- Draco Malfoy? O que queres de mim?
- Calma Potter... Há muito tempo que não nos temos visto. Talvez desde... o Verão suponho. Já queria falar contigo à algum tempo, mas, outras pessoas mais interessantes têm ocupado o meu tempo...
- O que andaste a fazer ao Harry?
- Harry? Então Potter, porquê chamar-lhe Harry quando podes chamá-lo primo? – disse Malfoy num tom de gozo.
- Nem te atrevas a espalhar isso! – afirmou Daniel já bastante irritado.
- Parece que estamos muito irritadíssimos hoje. Para alguém que tem um pai... como hei de dizer... em condições extremas, estás muito assanhado. Mas não vim aqui para falar do teu pai, pois o meu pai trata dele pessoalmente. Vim-te propor um acordo. Ajuda-me a apanhar a Elyon Somniare ou terei de seguir o exemplo dela e colocar um pergaminho em todas as salas comuns a falar dos teus familiares. Então o que me dizes? È um bom acordo não achas? Eu sei que sou muito bom para as pessoas, o meu pai está sempre a dizer isso.
- Podes parar de te gabar? Já me basta ouvir-te durante o Verão. E em relação ao teu acordo, a Elyon é minha amiga e não vou traí-la! E como sabes que foi ela que pôs todos aqueles pergaminhos nas salas comuns?– declarava já Daniel num tom de voz demasiado elevado.
- Eu tenho as minhas fontes. E se não me queres ajudar, parece-me que...
- Mas o que se passa aqui? – interrompeu Madam Pince, o que aliviou bastante Daniel. - Não esperava uma coisa destas de ti Daniel. Aos gritos na biblioteca? E tu Draco? O que fazes aqui? Se não vens ler, nem estudar sai imediatamente.
- Sim Madam Pince. – disse Malfoy.
Ainda olhando Daniel nos olhos Malfoy deu meia volta e dirigiu-se para os corredores. Daniel sabia que ele o voltaria a procurar, mas por enquanto estava a salvo.
- O que se passou aqui Daniel? – inquiriu Madam Pince.
- Aqui? Errr... Ele queria que eu o deixasse copiar os meus trabalhos de Encantamentos e eu não deixei... – mentiu Daniel pela segunda vez no mesmo dia.
- Fizeste bem. Aqui tens o livro, e espero que isto não se volte a repetir.
- Pode ficar descansada que não voltará a repetir-se…
Apesar de ter o livro para ler, não se conseguia concentrar, pois as palavras de Malfoy ainda ecoavam na sua cabeça:
“-E se não me queres ajudar, parece-me que…”
O que será que Malfoy iria fazer? Parecia-lhe bastante óbvio que Malfoy ia espalhar por toda a escola o seu maior segredo, mas não queria pensar que ele seria assim tão maquiavélico. Mas no entanto…
Levantou-se, entregou o livro a Madam Pince e abandonou a biblioteca. Decidiu ir dar um passeio pelos campos de Hogwarts para poder pensar um pouco. Ao atravessar um dos corredores de Hogwarts deu de caras com…
- Olá Daniel! Não devíamos ir para a biblioteca?
- Agora não posso Elyon.
- Mas Daniel…
E sem deixar a amiga terminar a frase, continuo o seu caminho deixando-a para trás. O que menos queria agora era falar com Elyon. Ao sair do castelo, avistou Malfoy e o seu grupo perto do lago. Dirigiu-se até ele decidido a tomar uma decisão.
- Malfoy! Precisamos de falar!
- Olha, olha… Parece que o Potter está cheio de energia hoje… O que queres de mim?
- Eu estive a pensar no teu acordo, e tomei uma decisão. Eu preciso de tempo para pensar.
- Tempo? Tempo? Mas pensas que estás a gozar com quem? Mas tudo bem... Eu sou uma pessoa muito razoável, ao contrário do que dizem. Eu dou-te até amanhã à tarde, mas com uma condição. Também tens de me ajudar a apanhar a Iruvienne Hiems.
- A Iruvienne? Não sabia que a conhecias.
- É que claro que a conheço. É aquela rapariga que passa as férias de Verão comigo.
- Aaaah! A tua namorada!
- Ex-namorada! E ela vai arrepender-se disso. Agora podes ir Potter. E não te esqueças. Tens até amanhã à tarde, depois disso...
- Tudo bem. Adeus Malfoy...
Daniel afastou-se e foi para a sua sala comum. Ainda tinha de passar pelo quarto para ir buscar os livros para História da Magia e Poções, as últimas aulas do dia.
~*~
Quando a aula de Poções terminou Daniel foi à sala comum guardar os livros, pois as aulas tinham terminado. Ao passar pela biblioteca viu Harry, Ron e Hermione saírem conversando animadamente.
- Vá lá Hermione. Deixa-me copiar o teu trabalho de Astronomia. – implorava Ron a Hermione.
- Sabes muito bem o que acho em relação a isso Ron. Nunca irás aprender nada se não fizeres os trabalhos por ti próprio. E o mesmo serve também para ti Harry.
- Mas eu não copio. Apenas faço os trabalhos em conjunto com o Ron. – dizia Harry divertidamente.
- Pois é Hermione! – anuiu Ron.
Daniel prosseguiu o seu caminho invejando o seu primo por ter amigos tão fiéis e unidos. Como ele desejava ter amigos assim. E pensou que tinha, pelo menos a Elyon, até Iruvienne ter aparecido. Daniel detestava-a tanto que tinha receio do que poderia fazer, caso a encontrasse.
No dia seguinte Daniel tinha aulas de Cuidado com as Criaturas Mágicas, por isso apressou-se para passar pelo salão para comer algo, uma vez que não tinha comido nada na noite anterior.
Quando chegou ao salão comeu o mais rápido possível, pois não queria encontrar Elyon nem a sua amiguinha. Saiu do salão sem encontrar nenhuma das duas e ao atravessar a parte para os campos do castelo, avistou Iruvienne ao longe, debaixo de uma árvore com um rapaz. Ignorando-os prosseguiu o seu caminho até à cabana de Hagrid.
Durante a aula Elyon tentou por diversas vezes falar com Daniel, mas este ignorava-a por completo. No fim da aula Elyon aproximou-se e disse-lhe:
- Porque me tens ignorado? O que é que te fiz para não me falares?
- Olha, não estás a ouvir? Acho que a tua amiga Iruvienne te está a chamar.
E sem mais palavras abandonou a amiga, que ficou a olhar para ele, incrédula mas muito magoada...
Há hora do almoço, Daniel encontrou Malfoy a descer as escadas para o Hall, e aproveitou para lhe dizer a sua decisão.
- Então Potter? O que vais fazer?
- Eu vou ajudar-te Malfoy!
~*~
Estava uma tarde linda em Hogwarts, o que já era habitual, pois já estava bem próximo do Verão. Daniel como sempre estava na biblioteca, a tentar ler o livro “Feitiços Úteis para Ocasiões Desesperadas”, pois da última vez não tinha conseguido lê-lo. Como sempre, tinha-se sentado na mesa do canto, completamente rodeada por estantes. Ouviu passos, mas desta vez não poderia ser Malfoy nem Madam Pince. Foi um rapaz com cabelo negro que apareceu por entre as estantes, que vinha completamente distraído a ler um livro.
- Já vi que encontraste o meu lugar secreto. – o rapaz deu um pulo e fechou o livro com toda a força, causando um barulho que ecoou na biblioteca.
Madame Pince levantou-se e murmurou: - Shhh! – de seguida, sentou-se e continuou a sua leitura, resmungando baixinho para si própria.
- Assustaste-me! – disse o rapaz, levando uma mão ao peito. – E já agora, que é que estás aqui a fazer?
- O mesmo que tu, a tentar ler. – respondeu Daniel. – Que estás a ler? Ovo do...
Antes que pudesse acabar de ler o título, o rapaz colocou a mão em cima do título, tapando-o e apressou-se a pegar nele.
- Em que é que andas metido? – perguntou com ar desconfiado – Já agora, chamo-me Daniel.
- Mike Tuten’arak. Muito prazer. – resmungou enquanto arrumava os pergaminhos onde tinha tirado apontamentos.
De seguida, pegou nas suas coisas e virou-lhe as costas.
- Por acaso não andas a ler “Ovo do Inferno”, pois não? – a pergunta de Daniel fez com que Mike ficasse estupefacto.
Virou-se e perguntou-lhe: - Como é que sabes?
- Bem… eu conheço muitos dos livros da biblioteca e acontece que esse exemplar pertence à área restrita da Biblioteca e duvido que um do 6º ano tenha autorização para tal.
- O que é que estás a insinuar?
- Espera lá... Eu acho que já te vi em algum lado... - disse Daniel, aproximando-se bastante de Mike.
- É possível. Eu não sou daqueles que se enfiam em buracos para não serem vistos.
- Que piada... Essa era para mim ou para a escola em geral? - perguntou Daniel já irritado com a arrogância do rapaz.
- Tem cuidado com o que dizes "book worm". - ameaçou Mike com a varinha apontada para a cabeça de Daniel - Pode ser que algum dia alguém revele o teu segredo.
- Pensei que fosses menos cobarde que o teu amigo Malfoy...
- Tu não falas assim comigo! – disse Mike já com o sangue a ferver.
- Porquê? Queres atacar-me aqui? Na biblioteca? Duvido que tenhas coragem para tal... - disse-lhe Daniel num tom de superioridade. - Porque tu deves ser como o Malfoy, precisas de companhia para atacar...
- Estás a pedi-las... POTTER!
- Muito bem... Parece que sabes o meu último nome. Diz-me a verdade. Tens aí escrito na mão para não te esqueceres, não é?... - gozou Daniel, apesar de saber do sarilho em que se estava a meter.
- Bem... estou a ver que não me resta outra hipótese. Vou ter MESMO de te dar uma lição. Espero-te lá fora para um duelo... - Mal Mike acabou a frase, deu meia volta e abandonou a biblioteca.
Mais uma vez Daniel entregou o livro a Madam Pince, sem o conseguir ler, e saiu da biblioteca. Não fazia a mais pequena ideia de onde estaria Mike, por isso dirigiu-se para fora de Hogwarts. Ia a caminhar pelos campos, quando sentiu uma mordida na perna direita. Quando olhou, apenas viu uma cobra a afastar-se e o sangue a escorrer-lhe pela perna. Instantaneamente perdeu os sentidos, e caiu ao chão...
~*~
Daniel acordou, e reparou que estava deitado numa cama. Piscou os olhos algumas vezes para se habituar à luz de sol, apercebendo-se que se encontrava na enfermaria.
- Daniel! Estás a sentir-te bem? Se calhar é melhor chamar a Madam Pomfrey...
- Sim. Estou. Mas como vim aqui ter? - perguntou Daniel confuso.
- Ah! Menino Potter... Já acordou! Já não era sem tempo! Foi só um desmaio, provavelmente do choque. E não se preocupe que a picada da cobra foi seca, ou seja, não tinha veneno. - disse Pomfrey num tom rápido, enquanto pegava num copo e colocava uma bebida. - Beba, sentir-se-á melhor.
- Aaargh... Que sabor... Tenho mesmo de beber isto tudo?
Madam Pomfrey virou as costas, e apressava-se para socorrer um aluno com sarampo de dragão.
- Então Bella? Ainda não me respondeste. Como vim aqui parar? Foste tu que me trouxeste?
- Deves andar a pensar que eu tenho força para carregar contigo... Eu vi-te desmaiado e chamei alguém para me ajudar a trazer-te para aqui...
- Aaah... Ok... Obrigado...
- De nada... Queres que eu vá chamar “alguém” para te ver?
- Para quê? Eu estou bem.
- Podes querer ver alguém…
- O que estás a tentar insinuar Bella?
- Nada... Podias querer ver alguém em especial... - disse Bella sorrindo
- Bem, eu tenho de ir. Ainda tenho de terminar um trabalho de Astronomia. - disse Daniel tentando mudar de assunto. - Vais ficar aqui?
- Claro que não!
- Então vamos andando.
Daniel tinha passado a noite na Ala Hospitalar, e segundo o que ele conhecia de Hogwarts, numa só noite pode mudar muita coisa, e era isso que tinha acontecido, pois sempre que ele passava, todos se punham a segredar.
Daniel entrou no salão para tomar o pequeno-almoço e encontrou Bella.
- O que se passa? Andam todos aos segredos e a apontar para mim.
- Diz-se por aí que tu faltaste a um duelo com Mike Tuten’arak por medo.
- Isso não é verdade! – gritou Daniel irritado fazendo com que todos os olhares se centrassem nele.
Furioso com a situação, abandonou a salão e saiu do castelo, para procurar Mike. Avistou-o perto do estádio de quidditch, com o equipamento e vassoura na mão.
- O que andaste por aí a espalhar Mike?
- De que é que estás a falar? - perguntou Mike fazendo-se despercebido.
- Sabes muito bem! Eu não faltei ao duelo. Eu fui mordido por uma cobra e passei a noite na Ala Hospitalar! Achas que tenho medo de um verme como tu?
- Ah! Essa é boa. Mas não penses que me consegues enganar. Sei muito bem que faltaste ao duelo porque tinhas medo. - de seguida, montou a vassoura e começou a voar.
- E depois sou eu que tenho medo. A mim parece-me que estás a tentar fugir de mim...
Percebendo que Mike não o ouvia, Daniel pegou na varinha apontou-a à garganta e pronunciou:
- Sonorus!
Com o novo feitiço Daniel foi capaz de falar tão alto, que tinha quase a certeza de o estarem a ouvir por todos os campos de Hogwarts.
- Desce aqui imediatamente, e prova que não tens medo de mim! - gritou Daniel em tom de ameaça.
Mike decidiu jogar o jogo dele. Desceu, pegou na varinha e gritou:
- Carpe Retractum!
De seguida, uma corda sai projectada em direcção ao Daniel, agarrando-o. Mike começa a girar com a varinha e o corpo de Daniel descola do chão e começa a girar a volta de Mike. Enquanto isso, os alunos de Slytherin agrupavam-se para ver o espectáculo.
- Gostas de voar? - perguntou no meio de uma gargalhada. - Espero que te sirva de lição!
Ao ver que Daniel começava a ficar tonto, Mike faz um movimento com a varinha para que o corpo de Daniel se estendesse no ar.
- Já tiveste o suficiente?
Daniel lançou-lhe um olhar de ódio, não lhe respondendo. Mike percebeu o que o Ravenclaw queria.
- Então que o duelo comece!
Mike soltou-o para que o seu tão esperado duelo começasse. Daniel tinha receio, pois não tinha qualquer experiência em duelos, apesar de conhecer variados feitiços. Mas já não podia voltar atrás, tinha de duelar e aceitar as consequências das suas decisões.
- Então, Potter, preparado? - perguntou Mike, desafiando-o. - Sabes, primeiro é bom que ergas a varinha...
- Quando quiseres, estou pronto! - disse-lhe Daniel em tom de desafio, enquanto se levantava do chão, ao mesmo tempo que erguia a varinha.
- Petrificus totalus! - vociferou Mike, mal Daniel acabou de falar.
- Protego! - gritou Daniel, evitando o feitiço do Slytherin. - Tarantallegra!
Com um gesto rápido da varinha, Mike evitou o feitiço.
- PROTEGO! Agora estás a irritar-me Potter! _respondeu Mike. Murmurou um feitiço que Daniel não conseguiu ouvir. De imediato, todos os espectadores desapareceram. O céu tornou-se vermelho e trovões rugiam por cima das suas cabeças.
Encontravam-se os dois sozinhos num imenso deserto.
- Não queres que assistam à tua derrota Mike? Ou esperas que acredite na tua ilusão?
- Perspicaz Potter... mas achas que é mesmo uma ilusão?
Em ruído de fundo, uivos de chacais fizeram-se ouvir. Uma violenta rabanada de vento atingiu Daniel, fazendo-o tossir.
Daniel concentrou a sua mente num feitiço inaudível, um feitiço que tinha uma vez lido num livro de feitiçaria, que fez com que Mike começasse a levitar. Sem se puder defender Mike girou pelo ar, até que Daniel o atirou ao chão.
- Gostaste da voltinha ou ainda queres mais?
- Na verdade, prefiro uma montanha russa, Potter. _respondeu Mike com um sorriso não muito acolhedor. _ Mas vê tu se gostas deste. _e, sem mais delongas, transformou o Gryffindor num porco-espinho. _ Um feitiço perfeito para a cobaia perfeita, não é, Potter? Eu sempre fui muito bom a Transfiguração.
Mais uma vez, utilizando um feitiço inaudível, Daniel voltou ao seu estado original. Zangado gritou:
- E eu sempre fui muito bom a conjurar feitiços com a mente.
Dito isto Mike foi atirado para trás, aterrando uns dez metros mais à frente.
- Serpensortia! _vociferou o Slytherin, levantando rapidamente. Uma enorme cobra, ainda maior do que a que Malfoy havia feito aparecer no 2º ano, saiu da ponta da varinha de Mike. Daniel não teve muito tempo para reagir. Antes que se apercebesse do que estava a passar, foi mordido.
- E agora, porque não voltar? Quero ver a cara dos seus amiguinhos ao te verem perder. _disse Mike sarcasticamente.
Quase um segundo depois os uivos dos chacais do deserto foram substituídos pelos "Ah's" e "Oh's" da multidão que se aglomerara em volta dos rivais. O deserto deu lugar aos verdes campos de Hogwarts, o céu retomou a sua cor azul natural e tanto o vento como as nuvens desapareceram.
- Sabes Potter, tinhas razão. Aquilo era uma ilusão. Nós nunca saímos daqui e eles _acrescentou indicando o público com a cabeça. _ Nunca deixaram de nos ver.
Agachado, devido ao ferimento da perna, Daniel apontou para Mike e disse:
- Stupefy!
Sem ter tempo para se defender, Mike caiu no chão, irritado.
Fazendo um enorme esforço mental, conseguiu, passados alguns minutos, libertar-se.
- Agora já não te ris tanto, não é Mike?
- Agora já não te ris tanto, não é Mike? Mas vamos remediar isso. Rictusempra!
De imediato saiu um feixe de luz prateada, que atingiu Mike no peito, que instantaneamente desatou a rir.
- Parece que recuperaste o riso Mike, só é pena não me poder juntar a ti!
- Ah, fedelho! _vociferou Mike, recompondo-se. _ Riddiculus! _ bramou em seguida, utilizando o primeiro feitiço que lhe veio à cabeça.
Ridikulus não era um feitiço para humanos. Mike só se apercebeu disso depois de o ter lançado, pois o feitiço não teve qualquer efeito em Daniel.
- Mas que belo feitiço. Só é pena não ter resultado. – gozou Daniel.
- INCENDIO! _ berrou Mike, corrigindo rapidamente o erro. "Cuidado!" gritou uma voz do público. Mas Daniel não teve os reflexos suficientes. Em poucos segundos o seu corpo transformou-se numa tocha gigante.
Vários espectadores gritaram, algumas miúdas do primeiro ano choravam. Mike sentiu-se numa tremenda pressão social. Com um movimento dos lábios e erguendo a varinha, apagou o fogo e fez alguns feitiços de recuperação que trataram das queimaduras.
- Parece-me, Potter, _finalizou com um sorriso afectado e dirigindo-se ao rival com o intuito de o ajudar a levantar. _ Que ganhei este duelo.
- Não... preciso... da... tua... ajuda... – murmurou Daniel.
- Não mesmo? _respondeu Mike, ainda com o mesmo sorriso. _ É... talvez estejas mais interessado em outras ajudas...
Com a atenção de todo o público concentrada nele, Mike afastou-se em direcção às portas do castelo.
Ainda magoado, não devido ao duelo, mas sim à derrota, Daniel levantou-se e caminho em direcção à floresta.
~*~
Daniel estivera sozinho, perto da floresta desde o final desastroso do duelo com Mike. Sentia um ódio tão grande, que temia que pudesse fazer alguma loucura. Questionou-se porque é que Elyon não estivera no duelo, mas rapidamente se lembrou que provavelmente estaria com Iruvienne.
Os seus pensamentos foram interrompidos ao ouvir passos atrás de si. Voltou-se e deu de caras com...
- Agora não estou com paciência para ti Malfoy.
- Então Potter? É assim que tratas os teus amigos? Não admira que a Elyon prefira estar a rir com a Iruvienne, em vez de te apoiar em duelos.
- O que queres dizer com isso?
- Quero dizer, que enquanto tu duelavas com o Mike, ela estava sentada debaixo de uma árvore, perto do lago, a conversar e a rir com a Iruvienne. Mas isso agora também não interessa. Já tenho um plano para as apanhar. Vais ajudar-me?
- Claro que sim Malfoy, mas temos de apanhar também a Elyon?
- Potter, tens de admitir de uma vez por todas. A Elyon não quer saber de ti, e provavelmente até te odeia. Desiste dela!
- Não pode ser... NÃO PODE SER!
~*~
"Daniel, onde te meteste, caramba?" – pensava Elyon, correndo os campos em busca do amigo. Assistira ao duelo, à derrota... aquele horrível Mike não-sei-quantos... cada vez o detestava mais...
Viu-o finalmente. Estacou ao ver que estava acompanhado. "Draco Malfoy?"- pensou, fazendo carranca_ “O que é que ele quer? Ai se ele está a fazer alguma coisa…”. Decidida a tirar satisfações encaminhou-se para lá, não chegando, porém, a tempo de apanhar Malfoy.
- Daniel? Estás bem? Que te queria o Malfoy?
- Elyon? O que estás aqui a fazer? A Iruvienne deu-te folga hoje? E sobre estar bem, acho que já é um pouco tarde para perguntar, não?
- O qu… Iruvienne? Não a vi hoje sequer, e não sou criada dela para que tenha de me dar folga. Não achas que estás a ser um pouco rude? – respondeu Elyon, começando a franzir as sobrancelhas. – Eu sei que perdeste aquele duelo… mas não é preciso descarregares em cima de mim!
- Como sabes que perdi o duelo? Nem sequer estiveste lá para me apoiar. E dizes tu que és minha amiga… Até as corujas são melhores amigas!
- Daniel Potter! Estás a passar das marcas! E estive lá sim, como querias que eu soubesse se não tivesse assistido? Agora, por favor, és capaz de comportar decentemente? É que acho que ainda não te deste conta da figurinha que estás a fazer.
- É muito fácil saberes o que aconteceu no duelo, porque a esta hora o Mike deve estar a gabar-se por toda a escola!
- Esse tal de Mike é um parvalhão. Eu já teria vindo ter contigo se não fosse o teu “amiguinho” Malfoy e seus gorilas andantes a barrarem-me o caminho! – vociferou Elyon.
- Não deites as culpas para cima do Malfoy! Nem tudo o que acontece é culpa dele! E se não tens mais nada a dizer, eu vou-me embora! – gritou-lhe Daniel.
- Óptimo, vai.
Irritado, Daniel deu meia volta e deixou Elyon sozinha nos campos de Hogwarts.
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